Leitura: A produção de um livro independente

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No começo do mês terminei de ler o livro “A produção de um livro independente” da editora Rosari e já digo logo que gostei bastante, por isso vou falar um pouquinho dele.

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O livro foi editado por Ellen Lupton, autora de “Pensar com tipos” e “Novos fundamentos do design”. Ela traz nesse livro todo o processo de publicação, do começo ao fim. Questões como: onde publicar, como criar, quais os tipo de impressão, quais os tipos de encadernação, como distribuir, entre outras é possível encontrar respostas lendo esse livro.

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Por ser traduzido, muitas coisas no livro funcionam de forma diferente no Brasil ou temos outras opções. Como sites e outras referências no livro, é possível encontrar opções brasileiras também.

Achei uma ótima referência, não apenas para designers, mas para qualquer pessoa que tenha a vontade de publicar um livro. E o que mais gostei foram as várias opções de encadernação manual, fiquei com vontade de produzir um livro pra cada uma!

Projeto experimental

Em 2013 terminei a pós-graduação em Design editorial e o primeiro projeto que desenvolvi foi uma narrativa experimental a partir de um tema livre.

Narrativa final

Narrativa final

Tema

O tema que escolhi foi Curinga. Apesar de não saber jogar muitos jogos de cartas, é um “personagem” que me encanta. Acredito que foi depois de assistir “Alice no país das maravilhas”, versão disney de 1951, que o tema cartas de baralho passou a me interessar.

O curinga é um personagem que causa sensações diferentes nas pessoas, de medo a diversão. Ele é único no baralho, podendo substituir outras cartas, e tornar-se qualquer uma delas. Dessa forma engana a qualquer um, ao mesmo tempo que não é e não pertence a nenhuma delas, pode ser excluído dos jogos por não fazer falta.

Mas o curinga que procurei trazer para a narrativa foi o curinga do livro “Hoje é dia de Curinga”, publicado originalmente em 1990, do mesmo autor de “Mundo de Sofia”, o norueguês Jostein Gaarder.

Algumas citações do livro, sendo que uma delas utilizei na narrativa:

“O curinga (…) é um caso à parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele.”
“Criaturas são belas, mas todas perderam a razão, exceto uma. Só o curinga do jogo não se deixa iludir.”
“Tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: “Quem somos? De onde viemos?”

Processo

Para obter a textura de plástico e associar as cartas de baralho, utilizei fita adesiva colorida sobreposta. Essa textura foi utilizado como verso das cartas de baralho.

Experimento com fita adesiva colorida.

As cores utilizadas na narrativa são as encontradas no baralho: preto, branco e vermelho e utilizei também o amarelo,  porque o curinga geralmente é representado como bobo da corte e as cores mais utilizadas são o vermelho e amarelo. Utilizei alguns recursos de composição como positivo e negativo, simetria, sobreposição, entre outros.

Estudo para chapéu do curinga.

Estudo para chapéu do curinga.

Seguindo a narrativa, na primeira imagem o curinga é representado como mágico, a carta saindo do chapéu do curinga, como um mágico tira coisas da cartola. Na imagem ao lado, o curinga com todas as cartas na mão representa que pode se passar por qualquer uma delas.

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Na sequência, o curinga pode substituir o Rei, Rainha, Valete ou Ás e em cada uma das cartas com naipe diferente. O curinga aparece se escondendo em cada uma delas.

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Na imagem da esquerda, ele não pertence a nenhum naipe ou cor, não representa nenhuma das outras cartas. Na imagem da direita ele está fora do jogo e foi representado deixando o baralho. E fazendo uma relação com o livro estaria se libertando.

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Cartaz

Junto com a narrativa desenvolvi alguns cartazes e vou compartilhar um deles. Trabalhei a tipografia no nome curinga utilizando os Naipes do baralho, formando um curinga. Por ele ser diferente das demais cartas, não quis utilizar o vermelho presente nos outros naipes, por isso utilizei o azul, contrastando com o preto. Foi desenhado, digitalizado, vetorizado e finalizado digitalmente.

Cartaz